quarta-feira, julho 20, 2011

Abaixo o TER, viva o SER

Quero voltar a confiar!
Fui criado com princípios morais
comuns: Quando eu era pequeno, mães,
pais, professores, avós, tios, vizinhos,
eram autoridades dignas de respeito e
consideração. Quanto mais próximos ou mais velhos, mais afeto. Inimaginável
responder de forma mal educada aos
mais velhos, professores ou
autoridades… Confiávamos nos adultos
porque todos eram pais, mães ou
familiares das crianças da nossa rua, do bairro, ou da cidade… Tínhamos medo
apenas do escuro, dos sapos, dos filmes
de terror… Hoje me deu uma tristeza
infinita por tudo aquilo que perdemos.
Por tudo o que meus netos um dia
enfrentarão. Pelo medo no olhar das crianças, dos
jovens, dos velhos e dos adultos.
Direitos humanos para criminosos,
deveres ilimitados para cidadãos honestos. Não levar vantagem em tudo
significa ser idiota. Pagar dívidas em dia é ser tonto… Anistia para corruptos e
sonegadores… O que aconteceu
conosco? Professores maltratados nas
salas de aula, comerciantes ameaçados
por traficantes, grades em nossas
janelas e portas. Que valores são esses? Automóveis que valem mais que
abraços, filhas querendo uma cirurgia
como presente por passar de ano.
Celulares nas mochilas de crianças. O
que vais querer em troca de um abraço?
A diversão vale mais que um diploma. Uma tela gigante vale mais que uma
boa conversa. Mais vale uma
maquiagem que um sorvete. Mais vale
parecer do que ser… Quando foi que
tudo desapareceu ou se tornou ridículo?
Quero arrancar as grades da minha janela para poder tocar as flores! Quero
me sentar na varanda e dormir com a
porta aberta nas noites de verão! Quero
a honestidade como motivo de orgulho.
Quero a vergonha na cara e a
solidariedade. Quero a retidão de caráter, a cara limpa e o olhar olho-no-
olho. Quero a esperança, a alegria, a
confiança! Quero calar a boca de quem
diz: “temos que estar ao nível de…”, ao
falar de uma pessoa. Abaixo o “TER”,
viva o “SER”. E viva o retorno da verdadeira vida, simples como a chuva,
limpa como um céu de primavera, leve
como a brisa da manhã!
E definitivamente bela, como cada
amanhecer. Quero ter de volta o meu
mundo simples e comum. Onde existam amor, solidariedade e fraternidade
como bases. Vamos voltar a ser “gente”.
Construir um mundo melhor, mais justo,
mais humano, onde as pessoas
respeitem as pessoas. Utopia? Quem
sabe?... Precisamos tentar… Quem sabe comecemos a caminhar transmitindo
essa mensagem… Nossos filhos
merecem e nossos netos certamente
nos agradecerão! 
(Arnaldo Jabor)

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